Garota de rua, nem santa, nem puta – de Neide Azevedo

Posted on 30/05/2010

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Na poesia a seguir “Garota de rua!”, notamos um evidente poema moderno.

Não é necessário uma métrica rígida, nem rimas ricas, muito menos a sonoridade entre as palavras para contruir versos com melodia poética. Apenas com um toque de sensibilidade, simplicidade e versos bem organizados, a poetisa Neide Azevedo transforma um tema comum – e que passa desapercebido por muitos – em uma mensagem que contém uma crítica sobre a atualidade somada com a visão distinta e amarga da personagem. Em uma única estrofe, os versos de “Garota de rua!” apresentam um ritmo poético que leva diretamente o leitor a sentir o que a poesia exatamente expressa.

GAROTA DE RUA!

Nem Santa,
nem puta.
Garota de rua!
Sem casa,
sem nome
sem pai e sem mãe…
Vestida de trapos.
Dormindo nas ruas,
sem eira, nem beira,
Só um coração!
Sou rastro da estrada
Sou lixo no chão!
Comida não tenho,
não tenho irmão…
Nem Santa,
Nem puta
Garota de rua…
Me da um trocado?
Um pedaço de pão?
Não mate meus sonhos,
ajude-me então!
Não toque meu corpo,
nem suje minha alma…
Me empresta ao menos um canto,
nesse pedaço de chão!
Um banco na praça
já é grande coisa…
Nem Santa!
Nem Puta!
Sou nada,ninguem!
Garota de rua,
vestida de trapo.
Sem eira nem beira.
Sem nome também.

Para conferir mais sobre as obras de Neide Azedo, acesse sua página no Recanto das Letras: http://recantodasletras.uol.com.br/autores/neidelameu