FLIP atrai, cerca e explora com vigor a Literatura em 2010

Posted on 29/05/2010

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A FLIP de 2010 vai bombar! A imprensa já anuncia esse fato sem ao menos faltar poucos dias para iniciar o festival de Paraty. Entretanto, é justamente pela organização e programações que a Casa Azul – organizadora da FLIP  – vem divulgando em seu site, que se tem tanta certeza que teremos um marco literário em agosto. Praticamente, quem caminha ao redor da Literatura vão direcionar seus olhares, desejos e interesses na pequena cidade de Paraty, que promete sim, bombar!

O  Clube de Autores, instituição que publica livros para vendas sob demanda e via comércio on line, também já confirmou presença e irá se juntará à esse movimento de “mala e cuia”. Em conversas com a Equipe do Clube de Autores, eles não só confirmaram que os seus autores terão um posto avançado do Clube pelas ruas de Paraty, mas também anunciaram suspresas que irão desenvolver por lá.

Essas surpresas se referem às atividades culturais que o Clube pretende promover na FLIP. Além da vasta programação que a FLIP realizará nos seus cinco dias de festa, tirando os eventos também da Flipinha e da Flipzona, o Clube de Autores também fazerá variadas atrações para somar e embelezar ainda mais com o já enriquecido valor cultural da FLIP. É de encantar e vibrar com as belas expectativas que nascem a favor da cultura !

Muitas pessoas já estão se programando e se preparando  para viajar, no mês agosto,  em grande estilo, estilo literário

Dêem uma olhada na extensão e atraente Programação, já confirmada, da FLIP:

Dia 04/08

19h – Conferência de abertura
Casa-grande e Senzala: um livro perene / Fernando Henrique Cardoso
debatedor: Luiz Felipe de Alencastro

Na mesa que abre a Flip 2010, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, autor do prefácio da edição mais recente de Casa-grande & senzala e um dos principais intérpretes de Gilberto Freyre no Brasil, fala sobre as contradições que estão na origem dessa obra seminal do pensamento brasileiro. A seu lado, o historiador Luiz Felipe de Alencastro, um dos maiores conhecedores da escravidão no Brasil, comenta a palestra com ênfase na figura do negro, tal como abordada no clássico de Freyre.

 
21h30 – Show de abertura
Edu Lobo
Renata Rosa
Com Marcelo Jeneci e Quarteto de cordas da Academia da Osesp
direção artística: Arthur Nestrovski
 

Dia 05/08

10h – Mesa 1
Ao correr da pena
Edson Nery da Fonseca
Berthold Zilly
Moacyr Scliar
Ricardo Benzaquen
mediação: Ángel Gurría-Quintana

“A escrita é meu veículo. Vaidosamente ou não, considero-me um escritor literário, com uma forma literária de expressão”, declarou Freyre certa vez. Parte significativa da crítica concorda: há consenso de que não há pensador social no Brasil que seja páreo para Freyre no quesito qualidade da escrita. Para analisar esse aspecto decisivo de sua obra, o ficcionista Scliar, o crítico literário Edson Nery, o tradutor Zilly e o historiador Benzaquen se juntam em Paraty.

 
 12h – Mesa 2
De frente pro crime

Patrícia Melo
Lionel Shriver

Lionel Shriver correu o mundo com seu Precisamos falar sobre o Kevin, romance de investigação psicológica sobre uma família que tenta compreender as motivações de um filho genocida. Na prosa contemporânea brasileira, poucos autores dominam o suspense psicológico como Patrícia Melo. Sobre este e outros pontos em comuns deve girar a conversa das duas em Paraty.

 
15h – Mesa 3
Fábulas contemporâneas
Reinaldo Moraes
Ronaldo Correia de Brito
Beatriz Bracher
mediação: Cristiane Costa

Moraes fala do universo underground paulistano e da rotina de abusos, drogas e álcool de personagens desregrados. Brito cria um sertão mítico com ecos de parábolas bíblicas. Bracher brinca com o idioma e escreve contos intimistas. O que aproxima três vozes tão distintas? O fato de figurarem entre as mais densas e originais da literatura brasileira. Isso basta para justificar a conversa que travam em Paraty.

 
 

17h15 – Mesa 4
Veias abertas
Isabel Allende
mediação: Humberto Werneck

Isabel Allende é um sucesso estrondoso de público. Desde A casa dos espíritos, de 1982, foram mais de 56 milhões de livros vendidos em trinta idiomas. Ao lado de Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa e Carlos Fuentes, é um dos nomes mais bem-sucedidos da literatura latino-americana e um ícone do “realismo mágico”, que tanto marcou a prosa criada no continente desde os anos 1970. É sobre essa trajetória singular que ela conversa com o jornalista e veterano da Flip Humberto Werneck.

 
19h30 – Mesa 5
O livro: capítulo 1
Peter Burke
Robert Darnton
mediação: Lilia Schwarcz

“O segundo livro publicado na imprensa de Gutenberg era sobre a morte do mercado editorial”, diz uma piada corrente no meio literário. Na primeira das duas mesas dedicadas ao destino do livro este ano em Paraty, dois dos mais respeitados historiadores da atualidade, ambos especialistas em história da leitura e da mídia, mostram como essa discussão remonta aos primórdios da era moderna e está longe de se resumir a Ipads, Kindles e outras novidades tecnológicas.

 

 Dia 06/08

10h – Mesa 6
O livro: capítulo 2
Robert Darnton
John Makinson
mediação: Cristiane Costa

Nenhum autor contemporâneo foi tão fundo no estudo sobre o futuro do livro quanto o historiador Robert Darnton. Diretor da biblioteca de Harvard, ele acompanhou de perto as negociações com o Google para a digitalização de todo o acervo da universidade e registrou as implicações da proposta numa série de artigos recém-lançados em livro no Brasil. John Makinson é o CEO da editora Penguin e está na vanguarda do processo de transformação por que passa o mercado editorial em todo o mundo. Os destinos da palavra escrita são o ponto de partida da conversa de que participam em Paraty.

 
12h – Mesa 7
Além da Casa-grande
Alberto Costa e Silva
Maria Lúcia Pallares-Burke
Ângela Alonso
mediação: Lilia Schwarcz

Apesar de muito vasta, a obra de Gilberto Freyre costuma ser lembrada apenas por Casa-grande & senzala e Sobrados e mucambos. A proposta desta mesa é examinar a obra de Gilberto Freyre para além de seus livros mais famosos. Nordeste será o tema do africanista Alberto Costa e Silva. A historiadora Maria Lúcia Pallares-Burke fala sobre Ingleses no Brasil. E a socióloga Ângela Alonso discorre sobre Ordem e progresso.

 
15h – Mesa 8
Chá pós-colonial
William Boyd
Pauline Melville
mediação: Ángel Gurría-Quintana

Tanto William Boyd como Pauline Melville são associados a um tipo de literatura que se convencionou chamar “pós-colonial”. O rótulo é vasto e decerto não exprime com precisão a particularidade do trabalho dos escritores a ele associados. Mas vale para autores que examinam, por meio da ficção, o destino de países que foram colônias num passado próximo o suficiente para que as cicatrizes da exploração ainda se façam notar. É o caso dos dois, que encontram nesse tema um ponto de partida para a conversa que travam em Paraty.

 
17h15 – Mesa 9
Promessas de um velho mundo
A.B. Yehoshua
Azar Nafisi
Mediação: Moacyr Scliar

Yehoshua é um dos grandes nomes da prosa de Israel, ao lado de Amós Oz e David Grossman. Como os colegas, é voz ativa no debate sobre o processo de paz no Oriente Médio. Azar Nafisi é o grande nome da literatura iraniana, país cujo regime teocrático critica de forma feroz em seu trabalho. Nesta mesa, os autores dão testemunho sobre o papel da literatura como caminho para um diálogo entre as culturas em conflito.

 
19h30 – Mesa 10
Em nome do filho
Salman Rushdie

A obra mais recente de Salman Rushdie, Luka e o fogo da vida, terá lançamento mundial durante a Flip. Mas a conversa não se restringe ao assunto do livro, uma fábula para jovens da mesma linhagem de seu celebrado Haroun e o mar de histórias (1998). A ocasião também serve para Rushdie falar de sua condição de autor-síntese da literatura multicultural e de sua visão sobre temas políticos contemporâneos, dos quais se tornou parte ao se ver condenado à morte pelo regime iraniano, em 1989.

 

Dia 07/08

10h – Mesa 11
Andar com fé
Terry Eagleton

Além de um dos mais influentes críticos literários em atividade, o britânico Terry Eagleton é autor de um livro recente que polemiza com Richard Dawkins, convidado da Flip de 2009. Eagleton argumenta que o ateísmo pregado por cientistas como Dawkins se baseia numa concepção simplista e equivocada de religião. A obra gerou grande polêmica, e é sobre ela que Eagleton fala em Paraty.

 
12h – Mesa 12
Albany, Nova York e outras aldeias
Colum McCann
William Kennedy
mediação: Ángel Gurría-Quintana

O irlandês Colum McCann ganhou o National Book Award por seu último livro, um painel da comunidade imigrante irlandesa em Nova York nos anos 1970. Nos sete livros de seu “ciclo de Albany”, o americano William Kennedy faz da pequena cidade um microcosmo da sociedade norte-americana. Nos dois casos, a cidade se apresenta como personagem central e suscita a questão que deve nortear a conversa dos dois em Paraty: falar da própria aldeia é de fato o caminho mais curto para ser universal?

 
15h – Mesa 13
Tabacaria
Antonio Tabucchi
mediação: Samuel Titan Jr.

Antonio Tabucchi é mais que um dos principais nomes da literatura italiana. É também um grande conhecedor da obra de Fernando Pessoa, que figura como personagem em boa parte de seus livros. A essas duas facetas soma-se a de intelectual público: Tabucchi é perseguido pelo governo italiano por ter cobrado explicações do presidente do Senado, apoiador de Silvio Berlusconi, sobre suas relações com grupos mafiosos. Nessa conversa em Paraty, ele fala sobre todos esses lados de sua prolífica carreira.

 
17h15 – Mesa 14
A origem do universo
Robert Crumb
Gilbert Shelton
mediação: Angeli

Mesmo com diversos nomes estelares da literatura mundial no currículo, a Flip raras vezes pôde trazer aos palcos de Paraty uma lenda viva. Esta mesa é uma dessas vezes: num evento para entrar nos anais da cultura brasileira, o mais influente artista de quadrinhos de todos os tempos e ícone da contracultura passa em revista sua carreira, com destaque para o último trabalho: uma versão em quadrinhos do Gênesis. A seu lado, o não menos carismático Gilbert Shelton, que forma com ele a dupla perfeita para falar da história dos quadrinhos contemporâneos e do underground americano.

 
19h30 – Mesa 15
O som e o sentido
Lou Reed
mediação: Arthur Dapieve

Lou Reed já se definiu, não sem autoironia, como o “Dostoievski do rock”. Membro de uma linhagem de compositores populares da América do Norte fortemente influenciados pela literatura, tais como Leonard Cohen e Bob Dylan, Reed fala nessa entrevista sobre os limites entre arte e contestação, letra e poesia, alta cultura e rock’n’roll.

 

Dia 08/08

11h45 – Mesa 16
Gilberto Freyre e o século 21
José de Souza Martins
Peter Burke
Hermano Vianna

Na mesa que encerra a homenagem a Gilberto Freyre, três de seus maiores intérpretes analisam a atualidade da obra do sociólogo. Herdeiro da tradição uspiana, José de Souza Martins explica por que Freyre tornou-se um clássico incontornável. Um dos maiores praticantes da história das mentalidades no mundo, Burke analisa o pioneirismo de Freyre nesse segmento. E o antropólogo Hermano Vianna discute a questão da miscigenação e da identidade nacional na obra do autor pernambucano.

 
14h30 – Mesa 17
Cartas, diários e outras subversões
Wendy Guerra
Carola Saavedra
mediação: João Paulo Cuenca

A cubana Wendy Guerra faz dos diários uma ferramenta ficcional importante para dar conta de sua experiência e das contradições que marcam a história política de seu país. Carola Saavedra valeu-se de cartas para compor alguns de seus livros, que fizeram dela uma grata surpresa da literatura brasileira nos últimos anos. A diferença é que Carola escreve numa democracia onde a liberdade de expressão é respeitada; os livros de Wendy, nunca é demais lembrar, estão proibidos de circular pela ditadura cubana.

 
 

16h30 – Mesa 18
Nacional, estrangeiro
Benjamin Moser
Berthold Zilly

Tanto para o americano Benjamin Moser, biógrafo de Clarice Lispector, como para o tradutor alemão Berthold Zilly, o Brasil é uma referência decisiva. Ambos se aproximaram da cultura brasileira de forma casual, mas se transformaram em grandes intérpretes da literatura produzida no Brasil. A visão desses dois autores é uma síntese do papel ambíguo ocupado pela literatura brasileira no exterior, tema dessa conversa de que participam em Paraty.

18h15 – Mesa 19
Livro de cabeceira
Convidados da Flip lêem trechos de seus livros prediletos.
9h30 – Mesa Zé Kléber
Toda esta programação também pode ser vista no site da FLIP: www.flip.org.br